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Quis escrever sobre. Mas o que estimulava a escrever era também o que abafava as palavras em si mesmas. Guardou as emergências no estômago e os desabafos na garganta.

Karina Moraes
02.04.2013

Tempo, eu, tempo, tempo


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Ela quis escrever qualquer coisa que definisse o papel do "eu" no tempo. Não sabia bem se era ela que mudava o tempo, ou se era o tempo que mudava ela. Sabia que existia alguma relação muito estreita nisso tudo, mas estava mesmo é de saco cheio dessas reflexões com as ordens das palavras. Ou com preguiça, talvez. Fotografou a luz e correu sob o chá. Em suas fotografias a luz virou uma estação de trem e o chá se transformara num viaduto. E nesse jogo de alusões, o lúdico logo se transfigurava em asfalto e concreto. De cima de um arranha-céu, teve exatos cinco minutos pra cair na real: faltava crescer ainda um pouquinho mais pra que o céu se deixasse arranhar. Tentou com os olhos destampar o Tamanduateí e pintar as lavadeiras da Várzea do Carmo. Tamanha pretensão, o cair da tarde levara as lavadeiras embora. A Várzea já não estava lá e o Tamanduateí também não. Nas fotografias? O saudosismo. E a força do tempo com o próprio tempo. 18h15. Onde estava mesmo o bilhete do metrô?!
                  Karina Moraes
31/03/2013

Ritos de Passagem


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Medo de voltar pra casa
Medo de sair de casa
E encontrar tudo no mesmo lugar

Medo de abrir os olhos
Medo de fechar os olhos
E enxergar o que não quer nem imaginar

Quanto tempo faz? Uma semana atrás?
No topo do mundo, na crista da onda
Numa euforia de se estranhar
Pouco tempo faz! Uma semana atrás!
No topo do mundo, na crista da onda
Um mergulho em busca de ar

Tudo mudou, ela acordou
Estava onde nunca quis estar

Livre para ir e vir
Para ficar onde está
É outro modo de ver a queda

Livre como sempre quis
Livre como nunca imaginou
Só outro modo de ver o muro desabar

Tudo mudou, ela acordou
Estava onde nunca quis estar
Ela mudou, tudo acabou
Ela está pronta (?) pra recomeçar


(Engenheiros do Hawaíí)

23/03/2013

Diário de carnaval


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Mais um destino pra minha pequena coleção de refúgios. Eu coleciono trilhas e estradas. Guardo comigo um pequeno acervo de caminhos. Espaços que muitos visitaram, mas só eu soube resignificar da forma que me convence. Ninguém mais além de mim conhece a imensidão da plenitude que meu espírito tem fome. Muitas fomes me aguçam: de momentos, de paladares, de perfumes, de lugares, de pessoas, de prazeres não denominados. A minha visão enxerga através de sensações, enquanto meus olhos abraçam cores e formatos. O meu estômago cede espaço a um turbilhão de borboletas. Acompanham-me sorrisos gratuitos por segundo. E isso tudo só me apraz lembrar por saber que se trata daquela gostosa saudade pedindo por mais.

Karina Moraes
16/02/2013

Fixação


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Ser estranho com gosto de néctar. Com gosto de dúvida. Com gosto de veludo. Com gosto de querer. Que me olha. E me olha antes que eu tenha tempo de disfarçar a reciprocidade. Não é minha lentidão em curvar o pescoço na direção contrária mas o momento que, fugaz, se faz hipnótico. Quantas vontades guardam um olhar. Quantas certezas guardam a ressaca da beleza no amanhecer. Segurança tanta que paradoxalmente se esvai ao longo do dia seguinte. Na ausência. Suco de descrença no timbre da voz, no pronunciar que há pouco se fez tão doce e querido. Que nos ápices que alternam ternura e indiferença, me leva a embriaguez. Sem me enraivecer. Por te gostar tanto...

Karina Moraes

02/2012

Que me faz


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Eu sou mesmo os tantos, tantos ontens que me compõem.

As tantas luas que vi amanhecer sol.

As canetas sem tampa e as borrachas usadas nas escritas a lápis.

O joelho com Gelol.

O mínimo e o ápice.

Os poetas que me acompanham.

A soma das quantas decisões.

As escolhas que em mim se emaranham.

A conseqüência de uso dos sinais verdes, amarelos e vermelhos

...das curvas, dos semáforos.

Sou o que fiz, o que faço e o que refaço de mim.

Karina Moraes

13/02/2012

2011!


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2011? Pesado, difícil, forte, bonito, intenso!

Hoje digo com clareza que jamais poderia imaginar o que me reservava esse ano. No início até ousei arriscar palpites, não um, mas vários! Surgia cada vez mais hipóteses de como se daria o depois, e eu me encontrei mergulhada em um turbilhão de dúvidas e confusões. Havia uma bifurcação no meio da minha estrada, sem placas, sem sinalizações, sendo necessário e urgente optar por um caminho. Estacionar, optar por não optar, também era uma opção!

A escolha que fiz, em meio a ápices de risos e lágrimas, ainda me provoca temor, no entanto em nenhum momento sofri a dor do arrependimento, o maior dos monstros e do qual mais temia! Nesse ano eu me apresentei ao mundo e ele se apresentou a mim! Tive que me adaptar a acordar todos os dias sem a voz da minha mãe me apressando com os horários, sem os pães comprados e o almoço pronto. Sair na calçada e não reconhecer as ruas e casas que se dispunham diante de mim. Tive que me adaptar com o ar (incomparavelmente mais poluído!), com o caos do trânsito, com a "querida" Dutra e Senna! Tive que me adaptar à pessoas, ora muito iguais, ora muito distintas de mim.

A absurda carga de leitura e avaliações a que me submeti cumprir e levar adiante, logo deu um jeitinho de me mostrar que daqui pra frente, não raro, as noites se tornariam dia. Que isso ocorreria de forma cada vez mais frequente, que de tão habitual, a partir de determinado momento isso me seria imperceptível... e que em um momento posterior, o café seria o maior aliado! Que em alguns momentos, o sono é luxo!

Percebi que teria sérios problemas com horários de alimentação, que eu engordaria e emagreceria em curtos prazos de tempo. Que eu choraria por saudade, que eu choraria por medo, que eu choraria por pressão, que eu choraria no banheiro, que eu choraria no telefone, que eu choraria em alguns ombros, que eu choraria sem saber o motivo. Que notícias fortes me abalariam profundamente e me fariam querer voltar pra casa naquele mesmo instante. Percebi que a vida é um constante jogo de renúncias, que mesmo as pequenas conquistas exigem abrir mão de tantas coisas. E que se eu estou disposta a viver dessa forma, as grandes metas são possíveis SIM!

Percebi também que o meu choro seria muito mais sincero e minha felicidade, muito mais intensa. Que a convivência com determinadas pessoas me conferiria a certeza de carregá-las comigo pro resto da vida. Que se faz colegas por anos e que se faz irmãos em apenas alguns meses. Que eu posso ser muito boa em algumas coisas, e em outras nem tanto. Que não é possível ser bom em tudo, que em alguns momentos eu seria apenas um número, em outros eu seria o meu nome e meu sobrenome! Percebi que hoje sei viver muito mais, sei quando posso largar a responsabilidade um pouquinho de lado, pra curtir e falar besteiras. Sei, com mais clareza que nunca, que a vida cobra sério. Percebi que um ano voa, mas que eu voei junto com ele e foi justamente nele que eu aprendi a alçar vôo, mas a voar com os pés no chão!

Percebi muitas coisas... percebi que eu quero mais!

/ Karina Moraes

07/12/2012

...!


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É que a janela aberta ainda deixa o vento repousar folhas secas no criado-mudo. E que a asma dificulta soprá-las de volta ao mundo. Respiração bloqueada e coincidente presença simultânea de água que transborda dos olhos. Na reminiscência do mar que habitava outros olhos... claros! Salgada e escorregadia umedece a face. A urgência em enxergar flores inquieta o peito, vira vapor na alma. Ressurge e revive... em passageiros lapsos da saudade de antanho.


Karina Morais

09/2011

Pingente-vida


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"Viva a vida mais leve, não deixe que ela escorregue, que te cause mais dor (...) e amanheça brilhando mais forte que a estrela do norte!"


Já repararam como definir determinados momentos bons é especialmente complicado? Digo "especialmente" porque essa dificuldade vem acompanhada de um gostinho de copo cheio, embriaguez causada pela vida que, por vezes, corre nos lembrar de sua efemeridade, servindo de alerta aos corpos cansados.

Talvez esse seja mais um papo clichê mas, meu amigo, me diga se não é o próprio homem o maior dos clichês? Somos essa coisa toda que dizem de nós e que repetimos de quem disse, mesmo sem pretensões de plágio. É que ao se tratar de uma abordagem genérica, poxa, nos conhecemos absurdamente bem, ficando, conseqüentemente, vulneráveis a definições iguais. Mas alguém disse que isso é ruim?

Alguns instantes se revelam detentores de um poder tão grande que mal percebemos a hipnótica situação em que nos encontramos, tamanha é nossa atenção a tais momentos, quadros que se dispõem aos nossos olhos tal qual nos faz desenvolver inexplicável gula por coisas abstratas, digo, engolir sensações e energias que sentimos, com uma imensa ansiedade explicada pelo imperceptível medo que temos de sentir por alguns instantes a ventura em ter a vida nas mãos e deixar escorrer por entre os dedos. É difícil segurar coisas raras e delicadas sem quebrar ou arranhar. Vem então aquele nó na garganta da ansiedade presa no esôfago da vontade que grita em nós de dar um jeito de dizer a essa coisa que está ali, nas mãos, que estamos chamando de vida, pra não ir embora, pra ficar ali, intensa, vibrante, colorida, radiante. Dá vontade de fazer dela algo palpável e colocarmos logo um chaveiro pra grudar no cós da calça e quando mudar de calça, colocar esse chaveiro na bolsa ou, sei lá, qualquer adereço junto ao corpo, intencionalmente deixando muito, muito visível, estando sempre diante de nossos olhos de forma a nos lembrar do nosso compromisso de cuidar, de amar essa coisa. Essa coisa que não é concreta, que não é um chaveiro, muito menos "coisa". Isso que eu chamo de vida, não na sua comum denominação substantiva, mas adjetivando: tô falando de VIDA, ENTENDE?!

Tento narrar um encontro interior, um encontro da alma, aquele que lhe dá um tapa na face fazendo abrir mais as pálpebras e enxergar um amor por vezes tímido que periodicamente escapa de um bolso meio furado e desbotado, pondo-se agitado por toda nossa pele, meu amigo, estou tentando explicar essa nossa capacidade em redescobrir muitas e muitas vezes a paixão pela vida!




/Karina Moraes
(23.07.2011)

Moments


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Revoltar-se contra o pijama e deixá-lo repousar fora do corpo; almejar usar qualquer adereço que interfira positivamente na auto-estima; sentir-se inquestionavelmente atraente; contar os trocados no bolso; abrir a janela e confessar-se com a lua: Preciso do hoje, do agora, olhar e ser olhada, dividir momentos com as estrelas, ser um pouco estrela também. Três mulheres que resolvem unir o tédio comum e embalar-se por uma noite metropolitana de sábado, filosofar com bêbados, adentrar terrenos estranhos, fazer ligações aleatórias durante a madrugada. Rir sem motivos, consciente que não é preciso de motivos para rir. Permitir-se rir. E rir com os cachorros da rua, e rir da rua, e rir de tudo o que há nela, e rir de tudo o que está alheio a ela. Comediar a situação, amanhecer gargalhando de reminiscências passadas. Abster-se de ressaca moral. Divertir-se com a nostalgia das besteiras de outrora. Comungar insanidades particulares... Eis a brusca mudança de rotina que percorre quilômetros de estrada, que se inicia no interior rumo a uma capital de estranhas e distintas sensações.
Mais uma vez o questionamento: qual foi a última vez que você fez algo pela primeira vez? Dessas três mulheres foi em um sábado a noite, nada qualquer.


/Karina Moraes
(21.05.2011)

Contato segundo


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Pistas escorregadias. Realidade que cega. Sono sem sonhos.

Como faróis altos e retinas ofuscadas, como decisiva perda momentânea de controle, como pés que não alcançam o próximo degrau da escada. Nada é linear. Há curvas, há declínios, há deslizes. Há vida! Há vida, e há ruptura de ciclos vitais. Erros, humanos, pequenos. Pequenos humanos. Falhas tão banais, determinantes. O desconhecido que espera em cada esquina, o futuro que outrora riu, nes'tante chora, arde. C a r d i o c o n g e l a n t e. Há público. Sim, há platéia também! Mesmo que distante, com binóculos pendurados no pescoço. Vibra nas conquistas, dilacera-se nos infortúnios. Eternas highways. Faixas de chegada, término, onde nem sempre presumíamos que estivessem. Percursos interrompidos, questionamentos, gritam sílabas agonizantes, choram sussurros isentos de lágrimas.

Enxergar a distância, abraçar na ausência, conversar em silêncio, confessar em pensamento. Confortar. Confortar-se. Gritar para dentro, trazer à lucidez o doce gosto da presença física. Contar coisas na escuridão. Eufóricos planos nunca concretizados.

E pela segunda vez, a mesma despedida: "BRILHA ONDE ESTIVER!"

/Karina Moraes
(06.04.2011)

Aurora


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Aurora - do latim: Romper o dia; Deusa da manhã.

Setembro de 2010 - Esperei tanto pela chuva, mas ela soube aguardar o momento exato pra intensificar a energia. Vi o dia clarear e as primeiras gotas cairem. O cheiro era de terra molhada e, se tivéssemos feito um pouquinho mais de silêncio, a calmaria nos permitiria ouvir o desfolhar das rosas. Tinha me esquecido como é bonito ver a lua se pôr e o dia clarear.

É angustiante perceber as limitações de minha memória e injustificável as maravilhas já vistas que, posteriormente, ela é capaz de me privar. Mas como me apraz poder reviver esses instantes e me sentir pequenininha e confortável diante dos quatro gigantes, terra, água, fogo e ar. Se hoje eu tenho um lamento único a fazer é por saber que algumas pessoas ainda não perceberam e talvez nunca perceberão a grandiosidade que ocorre lá fora enquanto as janelas estão fechadas.

Eu queria que ao abrir os olhos, todos pudessem sentir essa energia!

/Karina Moraes.

GO GO GO 2O1O !


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"A melhor coisa é poder viajar, se livrar do estresse de São Paulo,
ficar numa casa ali bem perto do mar, chegar e ver que as onds estão rolando..." ♪
(Planta e Raiz)

Imagens falam por si só. Férias? PER-FEI-TA! o/
Reveillon? IN-CRÍ-VEL! *.*

"Há quem faça as contas
Há quem vá as compras
Quando mais um ano chega ao fim
Hora de escrever cartões
Hora de rever os planos
Mais um ano chega ao fim
Que venha em paz o ano que vem,
que venha em paz o que o futuro trouxer
Cai a neve nas vitrines
e a gente derrete ao sol
Desse natal tropical
Os cachorros da vizinhança vão latir
Sob os fogos de artifício
Pensarão que é fim e será só o início
Que venha em paz o ano que vem
que venha em paz o que o futuro trouxer
Há quem ignore o calendário
Há quem fique de olho no horário
Quando mais um ano chega ao fim"
(Humberto Gessinger)

Luauzinho né?! ;)


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"O Sol veio avisar
Que de noite ele seria Lua..." ♪


Fique acordado pra ter uma visão perfeita da lua..
Ela amarra com uma fita também as estrelas! *__*

Um violão, musicas perfeitas, risos perfeitos, uma noite tranquila, um lugar tranquilo, uma respiração tranquila. Bebida pra quem bebe, narguile pra quem narguila', bola pra quem joga, gargalhadas e até pula corda! AQUELA reuniãozinha entre amigos/colegas (óóótimas companhias!) e o suspiro de "foda-se qualquer coisa!". :D
E canta e bebe e canta e fala e bebe e canta e fala. E ri do que fala. E ri do que canta. E ri de como canta. E ri do que bebe. E ri de quem bebe. E ri porque não tem como não rir. ;)
Olha pro céu, e ri porque acha graça, e ri porque é bonito. Uma lua perfeita (a lua É perfeita!) e a imagem que se vê o faz parar, ali, admirando por alguns instantes: um circulo iluminado em torno da lua. Luz, gelo, sei lá o que é... mas era lindo! *__*

Passada a poesia da vida, a beleza da ingenuidade da natureza, vem a curiosidade, o catalizador do conhecimento hoho'. Então, procurei sobre este fenômeno.. descobri que trata-se de um Halo:
"Um halo é um anel de luz que rodeia um objecto.
Os halos se formam a 5-10 quilómetros (3-6 milhas), na troposfera superior. A forma e a orientação particulares dos cristais são responsáveis para o tipo de halo observado. A luz é refletida e refratada pelos cristais de gelo e pode, ou não, dividir em cores por causa da dispersão, semelhante ao arco-íris."

/Karina Moraes

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