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"Eu gosto mesmo é de vida real"
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1ª Pessoa do Singular
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Repare que eu não tô falando apenas de objetivos. Objetivos eu os tenho (e me conforta tê-los) mas, aqui, digo mesmo é de ideologias! Tem noção do quanto isso é forte, meu caro? São elas que me norteiam e são a elas que eu me agarro quando a fé é pouca. A fé em mim mesma, saca? São elas que não me deixam renunciar tanta coisa que me faria oscilar e são a elas que canalizo toda energia quando a fonte parece secar e a apatia toma conta de tantas outras questões da vida em sociedade. Confesso que, dado o sistema em que estamos inseridos, isso é um bocado angustiante: falta braço e tempo. A gente queria mesmo é abraçar o mundo! Fôlego tem, e perna tem também (ainda que por vezes nos convençamos do contrário)! Sabe, só queria registrar que tenho me sentido bastante empolgada com a atuação política. Não é lá nenhuma novidade, mas eu tô mesmo num momento enérgico pra isso. Tenho me deparado com ideias novas e com pessoas lindas – de coração e de luta – que se somam no caminho.
Muito tem me estimulado levantar a bandeira pelo plebiscito popular a favor de uma reforma do sistema político. Muito me estimula integrar um Coletivo que confio e que ajudo a construir. Muito me estimula estarmos trabalhando – dentro desse mesmo Coletivo – junto às escolas públicas e debater política com uma garotada que talvez jamais se interessasse por isso. Muito me estimula estar na luta feminista e encontrar mulheres maravilhosas dispostas a levar a frente ideias de ações em prol da igualdade de gênero em todas as instâncias. Sabe, minhas fomes político ideológicas crescem vertiginosamente e se mostram insaciáveis. Eu gosto disso. Na real, na real, eu só precisava escrever que eu tô feliz por estar incentivada. Não com as conjunturas atuais, mas por me sentir útil àquilo que persigo, sem precisar de holofotes. Eu preciso contar que eu tô estimulada, que é pra eu lembrar depois, naqueles momentos que a gente tem vontade de jogar tudo pro alto e vestir logo o discurso derrotista. Eu não nego as minhas inconstâncias e eu tenho ciência que o otimismo de hoje pode não ser o de amanhã. Isso me dá medo às vezes, mas política é quebrar a cara também, porque o mundo é torto e a gente precisa aprender a ter jogo de cintura, que é pra não enlouquecer... mais.
...E como pega!
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Category Íntimos Conflitos
Temporalidades
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Sempre me atentei ao tempo que julgava conveniente ao proceder de cada agir, acho mesmo que tou envelhecendo com doses de adrenalina que alimentam a falta de paciência pra qualquer vestígio de inação. Tou achando ruim? Que nada! Tou me despindo mais de certas formalidades que só atrasam aqueles que querem mas que temem. Querem sei lá o que, temem sei lá o que... esse formigamento de vontades que a gente nem sabe direito definir, fome de cores vivas talvez. Tão racionando sentimento, se poupam tanto que se poupam demais. Tou de cara prá vida! Tou caminhando sem muitos alardes pra "tragédias" ou não acertos.
As minhas responsabilidades? Com sono e cansadas, mas vão muito bem, obrigada. Prossigamos vivendo de inteiros, que a gente se rasga mas se resgata. E eu continuo atropelando minhas próprias palavras, "ok", ansiedade é mesmo o transbordar do presente que insiste em se embebedar de futuro. Se é pra ser, aceito a ressaca! Coisa estranha, que aperreia tudo aqui dentro, com vários anseios da alma. Bom, não só da alma. Mas eu aceito a condição, que é pra tudo ser de verdade, ainda que verdades sejam por vezes momentâneas... pq cê sabe que ora ou outra eu sou assim também, né? Ou é agora, ou pode nunca ser, e o nome desse bicho é inconstância. Sei lá, parece que crio asas mergulhando.
:)
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...about love and handcuffs
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moon
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Category Sem categoria(?)
clock
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march
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Category Sem categoria(?)
Existir
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Category Íntimos Conflitos
Forma[to]
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Sempre que ouço "me formei em tal escola/universidade" ou "sou formado em x coisa", minha mente instantaneamente parafraseia: "tomei o formato de tal escola/universidade", "tenho o formato de um x coisa", "concluí um processo que me dá um formato específico". Daí que fico imaginando, pra cada pessoa, qual teria sido o molde que a construiu. Há algum tempo a expressão me soa com certa estranheza e me remete a outras que me causam repulsa ainda maior: mecanização/padronização/enquadramento. As instituições educacionais regulares, básicas e superiores, nos acondicionam a determinados métodos que nos tecnicizam compulsoriamente. Mecanizam o pensar, o saber e o criar. Desde o fundamental II, além da oportunidade de estudar, eu tive a oportunidade de escolher onde queria estudar. No terceiro médio, uma prova de vestibular - e só ela - me considerou "lapidada" o suficiente para adentrar um campus universitário. A escolha do [per]curso também foi minha, a escolha que eu continuo fazendo todos os dias. Mas nunca me perguntaram o que eu achava (e acho) dessa coisa de sermos feito água, que se adapta conforme o recipiente ou que segue unidirecionalmente a correnteza. Nunca me perguntaram o que eu acho dessa "forma" do aprender e do desenvolver. Essa loucura de reprodução metodológica, sistemática e aprendizagem seriada. Um formato de ensino que me dará um formato de profissional. Qual é a forma do engenheiro? Do historiador? Do biólogo? Do dentista? Do filósofo? De que molde saímos nós do terceiro médio? E da universidade? E se eu achar que isso tudo tá errado e não seguir as regras limitantes que me impõem, serei eu um "sem formato"? "Form-ação", seria a forma da ação? Dizem por aí que os não diplomados são aqueles sem "[in] formação". Que coisa... Algumas das pessoas que eu mais senti orgulho na vida, nunca souberam o que é um Currículo Lattes. Que sociedade equivocada a nossa, não?
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13/11/2013
Category Íntimos Conflitos, Opiniões
SP
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De certo que São Paulo é sedutoramente atraente. O cenário é de contrastes e o palco pede luta. As ruas se sufocam de prédios, luzes e autos, o cheiro de chuva rompe o concreto, o cal, o caos e o asfalto, lava os semáforos e se desfaz em reminiscências - pé descalço, "betes", queimada, rouba-bandeira, interior. São Paulo por vezes se mostra impenetrável, dormitando em teimosia, mas talvez seja justamente sua caoticidade o que mais se assemelha com nossas inconstâncias e urgências. A gente vai aprendendo a se gostar, nós da cidade, e a cidade de nós. Há uma crescente nesse lance de pertencimento: a gente se reconhece no corpo social, mas nem sempre esse corpo social se reconhece em nós - tantas são as distâncias. E, assim nos percebendo e dando de cara com os conflitos, anseamos fôlego: jamais trair a responsabilidade de nos aventurarmos nessa ousada vontade de vermos crescerem juntos: o individuo na sociedade, e a sociedade no indivíduo. Quer saber? São Paulo é mesmo um grandalhão carente de abraço!
(dos escritos não concluídos do caderninho de 2011)
Category Íntimos Conflitos, Sem categoria(?)
Vizin.ar
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Category Íntimos Conflitos
